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Review de Diego Antunes

Os laços de sangue são mais fortes do que uma saída simples de roteiro.

Supergirl não é uma série complexa, ao contrário, ela preza mais pelo lado emocional e construção de um time apaixonante de personagens, do que pelas saídas rebuscadas ou complicadas de roteiro. O brilho da série está em sua leveza, porém, em Blood Bonds a própria força de Supergirl terminou por ser sua mais feroz adversária. Enquanto trabalha um roteiro maravilhosamente empoderador e cheio de detalhes importantíssimos, a série se esqueceu de que ousar não faz mal a ninguém, mas optar por um caminho fácil pode retirar interações valiosíssimas do futuro.

Sim, estou me referindo ao que aconteceu entre Kara e Cat, na revelação que prometia mudar completamente a dinâmica dentro da CatCo e explorar um lado ainda não aprofundado pela série, o comportamento de Cat e da Supergirl juntas. Seria complexo? Totalmente. E é esse pouco de complexidade que está faltando para que a série consiga, talvez, conquistar quem ainda está na corda bamba do fica ou vai embora. O tempo é pouco e já no próximo episódio estaremos atingindo a marca de meia temporada, as mudanças em um nível mais profundo na psique das personagens precisa começar, ou então estaremos fadados a acompanhar pessoas que não mudam, mesmo quando tudo está caindo por terra.

Cat é uma das personagens mais bem trabalhadas dentro da série. Mesmo que às vezes o texto pese para o didatismo, Calista Flockhart consegue dobrar qualquer diálogo clichê e transformar em um gif animado digno do tumblr. Só que seu papel precisa ser melhor explorado urgentemente, algo que pensei ser o caso quando ela descobriu a identidade da Supergirl. A verdade é que Cat despreza Kira, mesmo a vendo como Supergirl, ela permaneceu chamando a assistente pelo nome errado. Esse desprezo, contudo, não é algo pejorativo, mas sim a mensagem de que o importante ali é a heroína, não a menina que serve o café. É o que aquela mulher pode oferecer ao mundo e o que ela não está contribuindo enquanto se “esconde”. E esse lado da personagem é extremamente eficaz na hora de construir sua personalidade. O meu medo é que ela estacione neste padrão e não evolua. Estou sendo sim um pouco duro e sei disso, mas é apenas meu desejo de ter mais. Imagino que com a chegada do filho “escondido” tudo mude, mas e o que acontecerá quando ele sair de cena? Não quero que ela sempre volte a ser a Cat do piloto todas as vezes que sua “missão” dentro da trama termine.

Claro que Blood Bonds foi um bom episódio, mesmo com este detalhe. Como eu disse antes, a força de Supergirl está em sua simplicidade, mesmo quando a própria Krypton está falecendo, homens estão voando e criaturas estranhas com muitos olhos tentam ler a mente de alguém. Existe algo que transforma todas essas situações em algo comum, como o agradecimento da Alex pelo lanche, por exemplo.

Do lado de fora da simplicidade, o valor da produção novamente aumenta. É só observar Laura Benanti, a atriz que interpreta Alura e Astra. Podemos ver que ela é extremamente competente em mostrar o que é ser um herói e o que é tornar-se um vilão, refém de seu próprio desejo de heroísmo. É aquela mensagem que Batman passou em seu filme, durante a Era Nolan: “Ou você morre herói, ou vive bastante para ver você mesmo virando vilão”. Astra se tornou a vilã por não conseguir compreender o erro de seus atos. O final do episódio dá a entender que ela está se abrindo para um tipo de aceitação mais humana, só que dificilmente um final feliz sairá deste lugar, afinal, ela realmente poderia ter matado a Alex se a Supergirl não tivesse optado por seguir a irmã e os militares.

Outro aspecto extremamente válido é ver o quão competente Melisa Benoist se tornou como Supergirl/Kara. Eu fico extremamente feliz em ver a personalidade de uma heroína tão marcante sendo construída. O momento em que Astra está para receber a injeção do General Lane foi mais um daqueles frames para eternizar no mural de ótimas interpretações da atriz. O caminho deste elo de sangue é fundamental para compreender a dimensão da importância da família e da humanidade dentro de uma produção que lida, basicamente, com alienígenas em suas mais diversas interações sociais. E como vocês podem ver, aumenta a complexidade e eleva o potencial da série.

Porém, existem detalhes dentro do episódio que não casam bem com o restante. A maior discrepância é James e Winn no momento James Bond/Missão Impossível dos dois. Em determinada parte, fica até mesmo confuso ter a Kara indo e voltando do DEO em um período de tamanha crise, apenas para ser confrontada pelas ações da dupla. Lá no final a explicação dada ao J’onn J’onzz de que a CatCo era a âncora da humanidade da Kara cria uma situação de compreensão, mas só lá no final mesmo, até então estava um pouco confuso. O problema não é ter Kara indo e vindo, mas sim a falta de importância que alguns pontos relativamente importantes recebem, ou não recebem. Astra surgiu logo no começo da temporada e depois passou um bom tempo sem nem ao menos ser mencionada e eu sinto que o drama ao redor do Maxwell Lord seguirá o mesmo caminho.

Ao meu ver essa é a maior fraqueza da Supergirl como série, ter muitas tramas paralelas com importância, mas sem um desenvolvimento que justifique a ameaça. Ameaças que no momento parecem maiores que o próprio mundo, mas que depois de um episódio caem no “nem tão importante assim”. Ter um homem capaz de forçar um pai de família a cometer crimes e depois suicidar-se, ver Lord torturando James e o ameaçando, são atitudes que demandam ação imediata. O padrão adotado até o momento é o de fingir que nada está acontecendo até que algo realmente importante aconteça. Será que Astra é assim tão boa e digna de compreensão? Talvez. Mas será que teremos a sua história e as suas promessas de tomar a força o controle da Terra para salvá-la agora, ou só daqui seis episódios? Ou é importante, ou não é.

E é assim que Blood Bonds trabalha o tema familiar tão característico de Supergirl, na base da desconfiança. Kara está em um momento extremamente frágil, sem poder confiar na memória da mãe, desconfiando das atitudes da tia e com Maxwell Lord no seu pé, ameaçando diretamente a vida de um de seus amigos e protegido pela faceta do homem bom e de negócios que apenas almeja o bem maior. Como conclusão do episódio passado, eu não consigo pontuar tão bem este nono episódio. Agora, quando observo pela ótica de tudo o que já foi feito e do tanto que a série já cresceu e continua crescendo, especialmente no grau de evolução da própria Melissa, bom, aí eu sou só aplausos mesmo.

Easter eggs e outras informações

– O diretor do episódio é Steve Shill, o mesmo que em The Flash dirigiu os episódios “The Darkness and the Light” e “The Trap”.

– Existe um arco nos quadrinhos que faz conexão direta ao título do episódio, “Laços de Sangue”. Acontece que durante a sequência os kryptoníanos desenvolveram uma tecnologia genética que os impedia de sair de Krypton, conectando-os diretamente a energia radioativa do núcleo do planeta. E é por isso que nenhum deles tentou fugir do planeta antes de sua destruição total.

– Existem várias mudanças dentro de Supergirl que nos levam a entender que aquela é uma realidade alternativa, como a Terra 2 apresentada em The Flash. Em Supergirl a presidente é uma mulher e quem descobriu o doping do ex-ciclista profissional Lance Armstrong, foi a Cat. Essas “pequenas” mudanças deixam claro que um dia, se tudo der certo, poderemos ser introduzidos a esta Terra em outras produções da casa, como Arrow, The Flash ou Lendas do Amanhã.

– A capa da Kara é feita do cobertor do Kal-El, ele não queima ou rasga, tão pouco é perfurado por balas.

– O laboratório secreto do Maxwell Lord é o de número 52. Aquela boa e velha menção aos novos 52 da DC Comics.

– Você sabia que na linha pós-crise nas infinitas terras a Supergirl era uma metamorfa de outra dimensão, chamada Matrix? E sabia que foi ela quem adotou a fisionomia do Clak Kent para poder ajudar Lois Lane a despistar as pessoas do fato de que Clak e o Superman haviam desaparecido e retornado ao mesmo tempo durante a história ‘Morte do Superman’? Pois é, quadrinhos são complexos.

– No final do episódio vemos Maxwell Lord “brincando” geneticamente com uma moça bem parecida com a Kara. Poderia ele ser o criador da Bizarro Girl?

Créditos: Série Maníacos

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