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Review de Diego Antunes

Supergirl está aprendendo a lidar com o ódio, o seu e o dos outros.

Finalmente voltamos para a exibição normal de Supergirl, já agraciada com a encomenda de uma temporada completa com vinte episódios, e exibindo sua programação de acordo com a grade regular. Mesmo não sendo uma série perfeita, muito do brilho da produção vem da interpretação de sua protagonista, além do elenco de apoio. Mais uma vez Melissa Benoist mostrou sua imensa capacidade em dar vida ao roteiro de Supergirl, que flutua entre o vibrante e o emocionalmente carregado com uma habilidade incrível. A verdade é que Supergirl não precisa lidar apenas com a raiva que carrega dentro de si, mas também com o incompreensível desprezo que vem recebendo de uma parcela do público, algo que reflete diretamente sobre a audiência da série. Mas mesmo que ainda esteja apenas começando a trilhar seu caminho, Kara Zor-El já ofereceu muito para a televisão atualmente, e caso a oportunidade continue, só tende a melhorar.

A grande questão levantada por séries que abordam a existência de heroínas/heróis superpoderosos, em determinado momento, é o anseio em ser normal. Kara passou parte de sua vida vivendo uma rotina comum, mas ao mesmo tempo com a sensação de que alguma coisa estava faltando. É bem comum ter questionamentos a respeito do que fazer, quando fazer e principalmente, como fazer, faz parte da subconsciente humano e mesmo nascendo em outro planeta, Kara é cheia de humanidade. Nossa Supergirl pensou que ao assumir sua herança kryproniana na Terra aquele pedaço faltante estaria completo. Infelizmente para ela e felizmente para nós, não foi bem o que aconteceu. Exemplificado de uma maneira bem competente através do diálogo da Cat, o ódio funciona através de camadas, ele precisa se alimentar da raiva já existente para assim conseguir vir à superfície. Mesmo que abusando (em alguns momentos) da pegada caricata da Cat, Calista Flockhart consegue vender bem o leque de diferentes tons de humor que a personagem exige, complementando Kara satisfatoriamente.

Red Faced age através das já habituais metáforas que a série utiliza para discutir vários assuntos, utilizando o viés de uma temática só. O androide Tornado Vermelho, que eu gostei bastante do estilo e dos efeitos, aparece apenas para dar razão a raiva da Kara, nada mais do que isso. Neste sexto episódio tudo girou ao redor do ódio reprimido, daquilo que escondemos de nós mesmos e principalmente de quem está a nossa volta. Todo o aspecto central falou sobre o controle e da maneira com que a sociedade julga ser a forma adequada de uma mulher se portar. Que menina nunca ouviu a famigerada pergunta: “Está de TPM?”, sempre desferida para qualquer atitude considerada extrema?  De uma forma geral o homem recebe um passe livre para agir de maneira mais “solta”, desde que os sentimentos extravasados sejam o de raiva, ódio e alegria – Só existe julgamento quando o humor pesa para o emocional fragilizado, consequentemente ilustrando o machismo ao comparar tal atitude como algo “de mulher”. Do outro lado as mulheres precisam se comportar para não ganhar o titulo de escandalosas, emocionalmente abalada, ou algo que lhes seja imputado ao ciclo hormonal como grande culpado. Supergirl utiliza seu texto para discutir este tipo de abordagem feita pela sociedade, ao mesmo tempo em que trabalha mais do desenvolvimento pessoal entre Kara e James, como amigos.

James também sofre do mesmo problema que Kara, através da ótica de outro tipo de preconceito, o racial. E isso diz muito a respeito da importância do discurso de Supergirl, visto por muitos como algo forçado. Não é forçado, mas sim puramente simples e didático – Talvez o problema para muitos seja esse, mas eu não consigo ver como um erro, já que algumas pessoas não entendem mesmo quando o assunto está debaixo do nariz. Da mesma forma que o comportamento de mulheres é constantemente analisado e julgado, o de negros também. Mulheres ganham como justificativa forçada uma desestabilização dos hormônios. Negros recebem a alcunha de “comportamento do gueto”. Logo, a cena em que James e Kara tem a oportunidade de expor tudo aquilo que sentem através de socos, uma em um carro, o outro em um saco de pancadas, a vulnerabilidade e o aspecto humano de ambos é colocado debaixo do holofote. E é onde parte da força de Supergirl reside, em interações fora do campo de batalha, mesmo que seja através de um jogo de tabuleiro e adivinhações, um tanto quanto constrangedor para Winn e Kara. Quer seja durante o relacionamento entre irmãs, chefe e empregada, ou amigos, Supergirl mostra que o lado delimitador para suas personagens não vem só dos socos, ou de frases de impacto, mas sim do simples e comum.

Red Faced foi o melhor episódio da série, até o momento, no quesito ação e envolvimento emocional durante uma luta. A cena em que Kara explode e expõe toda a sua fúria e fragilidade, alternando cenas de sua mãe e de Krypton explodindo, é algo que não temos a oportunidade de ver com tanta facilidade em produções do gênero. Como dito anteriormente, a maioria opta por assumir que o comportamento “extremo” de mulheres é algo relacionado a uma falta de controle imposta pela natureza. Supergirl mostra que o que movimenta este lado é o sentimental, são os traumas do passado, aquilo que optamos por esconder para não demonstrar nossa fragilidade. Kara é forte não porque é invulnerável, mas sim porque é humana e complexa.

Por outro lado, enquanto Kara trabalha seu emocional, o de Lucy e James gira ao redor de um drama não muito aprofundado. Durante todo o episódio Lucy aparentou ser a principal defensora de seu pai, vivendo um verdadeiro dilema por não querer magoar ninguém. Só que não casa muito com sua decisão final. Eu não me lembro de vê-la indo em direção a defesa do homem que ama, ao contrário, eu a vi fechando os olhos para o que o pai estava fazendo. Este também foi um aspecto que segundo a história apresentada é algo recorrente, não apenas algo que começou naquele jantar. Assim como também não é fácil contar pontos positivos para Lucy ao vê-la tão empenhada em tirar o crédito da Supergirl. Obviamente ela estava sendo conduzida pelo ego. Por sorte, como eu pontuei na review passada, a série foca no relacionamento entre as mais diversas figuras femininas, mas sem necessariamente colocá-las uma contra a outra e por um motivo fútil como um interesse amoroso. O que imperou neste momento foi um conjunto de insegurança e preconceito, obviamente impostos pela figura de Sam Lane. Parabéns para os roteiristas e que permaneçam assim.

Concluindo, mas sem antes deixar de falar um pouco da Alex – Interpretada pela apaixonante Chyler Leigh. Foi um prazer enorme poder ver a personagem tomando frente de mais uma cena de ação, algo que a série deveria trabalhar mais vezes e que, devido a aparente perda temporária dos poderes de Kara, irão. Seu relacionamento com Maxwell Lord ainda é coberto por sombra e dúvida. Existe aquele momento em que Alex utiliza sua história para se aproximar de Maxwell, mas sem revelar ao certo se tudo aquilo não passa de alguma forma de manipular o homem que até um episódio atrás estava disposto a arriscar a vida de centenas de pessoas, ou se realmente rola algum sentimento. Gosto bastante do Peter Faccinelli, mas não sei se este é o momento perfeito para tentar desenvolver algo mais profundo ali. Até agora o magnata das industrias Lord demonstrou ser extremamente frio e calculista, apesar de cheio de cicatrizes. Então, fica apenas a preocupação. A não ser que o relacionamento entre os dois ganhe mais espaço, diálogos melhores e mais trabalhados, eu vou continuar enxergando como um desvio desnecessário da trama principal. Nada capaz de retirar o mérito de Supergirl, que conseguiu passar um episódio extremamente cativante, de novo.

Easter eggs e outras informações

– Tornado Vermelho, o vilão do episódio, é uma figurinha carimbada nos quadrinhos e também já deu as caras na animação Liga da Justiça Jovem. Na animação ele funciona como uma espécie de mentor para os jovens heróis. Tornado Vermelho também não é um vilão nos quadrinhos, mas aliado da Liga da Justiça. Durante um breve período de tempo o personagem acabou possuído por entidades do ar conhecidas como Ulthoon, Tornado Tyrant e Tornado Champion, que o utilizaram como arma contra a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça.

– Assim como na série, o criador do Tornado Vermelho, o professor T.O. Morrow é um vilão. Na nona arte ele foi responsável por desenvolver um equipamento capaz de visualizar 100 anos no futuro. É através desta ferramenta que ele cria um “gancho” para roubar tecnologia futurista, adquirindo assim o supercomputador. Este o aconselha a criar o Tornado Vermelho para destruir a Liga. Bom, acaba que depois de criado o Tornado Vermelho desenvolve uma personalidade própria e se recusa a seguir os comandos de seu criador.

– Na Terra 2, realidade alternativa dos quadrinhos, o general Sam Lane faz a transferência da consciência de sua filha Lois, morta durante uma invasão alienígena, para dentro do corpo do Tornado Vermelho, que até então não tinha nenhum tipo de emoção própria.

– Atualmente The Flash está desenvolvendo o conceito de Multiverso e aprofundando a história da Terra 2. Porém, não existe nenhuma menção (até agora) de qualquer personagem da família Super.

– Sam Lane, o patriarca da família Lane já teve várias encarnações, nas mais diversas mídias. Sempre nutrindo um ódio contra alienígenas e um sentimento de superproteção para com as filhas. Nas HQs ele foi responsável por transformar Lucy na Superwoman.

– Aparentemente o presidente dos Estados Unidos em Supergirl é uma mulher.

– Existe um programa de televisão chamado ‘Live with Gordon and Jim’, que aparece em um dos vários monitores da sala da Cat. Esta é uma menção ao Jim Gordon, personagem importante de Batman e presente como protagonista na série Gotham. Gotham é uma produção da FOX e compete contra Supergirl no mesmo horário de exibição.

– Depois de muito elucidar um possível problema com alcoolismo, Cat tomou seu primeiro porre. Nos quadrinhos a personagem é alcoólatra e enfrenta vários problemas com o pai de seu filho, por causa de seu vício.

– Seguindo a regra de menções a cultura pop da série, Kara fez uma comentário a respeito do filme Rocky.

Créditos: Série Maníacos

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