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Review de Diego Antunes

A Era das super-heroínas começou e é melhor você aceitar.

Eu sou um fã confesso de super-heroínas. Mulheres fortes têm um espaço especial dentro do meu coração e da minha grade de séries, sempre foi assim e sempre será. Tudo começou com certa caça vampiros, Buffy Anne Summers, mas também expandiu para Xena, Sidney Bristow, Olivia, o poder das três com Prue/Paige, Piper e Phoebe, entre várias outras. Resumindo, minha maior paixão sempre foi acompanhar mulheres em situação de empoderamento, poderosas, mas sempre humanas. Exatamente por isso a minha felicidade parece atingir novos níveis cada vez que eu paro para analisar minha atual lista de séries, com a agente Peggy Carter, a investigadora particular Jessica Jones e a kryptoniana Kara Zor-El. O que mais me agrada é ver que existe uma diversidade nas formas de se representar uma super-heroína. Finalmente o mercado está se abrindo para novas formas de abordagem, com heroínas fortes e felizes, heroínas que lutam em prol do reconhecimento e heroínas que seguem para viver o dia a dia convivendo com o fantasma de um abuso.

Depois de terminar a minha maratona de Jessica Jones, parei para pensar exatamente o que a existência de duas personagens saídas dos quadrinhos, porém completamente diferentes entre uma e outra, representava. E ao contrário de comparar ambas em pé de igualdade, consegui ver como elas são diferentes e complementares ao mesmo tempo. O discurso feminista de Supergirl é extremamente forte e na cara, somos, a todo tempo, confrontados pela imagem da luta, dos desafios e das barreiras impostas pela sociedade às mulheres, tanto no crescimento profissional, quanto no crescimento pessoal. Em Jessica Jones é tudo nas entrelinhas. Para quem consegue visualizar, a trajetória da Jessica é uma história de superação a um abuso físico e emocional, ou a forma com que mulheres violentadas precisam lutar constantemente contra os mais diversos estágios do estresse pós-traumático. Uma te mostra o feminismo de maneira didática, a outra de forma subjetiva. As duas são extremamente necessárias e um verdadeiro presente para quem acompanha esse universo. E mesmo que muitos desprezem o lado amoroso, ele também tem peso nessas produções, cada uma do seu jeito.

Kara poderia ter optado por abster-se de comentários, escolhendo não dar qualquer conselho para James e assumir a posição que Alex a avisou, para não se tornar a amiga. Contudo, seria totalmente discrepante com a personalidade da personagem, que é aquilo que o Superman nunca foi em suas mais recentes interpretações, tanto no cinema quanto nos quadrinhos. O que ela conseguiria para si, ao sabotar (mantendo-se calada) o que James e Lucy poderiam ter, ou tem?  Eu consigo ver que existe um trabalho bem grande para não colocar mulher contra mulher dentro da série, o que é extremamente compatível com a proposta. Falar de feminismo é “fácil”, fazer o seu roteiro desenvolver o tema sem cair no clichê, não. Nós poderíamos, por exemplo, pegar algumas músicas da Taylor Swift (que se esconde atrás de um pseudo-feminismo) e ver que, no fundo, tudo é a respeito de competição e regras pré-estabelecidas sobre o que as garotas querem e como as conseguir, ou a péssima You Belong With Me, que julga uma menina pelo seu uso de minissaia e salto alto. Existiriam vários motivos para que a série colocasse Kara em uma posição de vítima, como até foi desenvolvido no começo, mas por não a encarcerarem lá, o final realmente compensa, onde vemos que Lucy é tão insegura quanto Kara, a poderosa Supergirl. Só que não existe competição, não aqui, não ainda.  Não foi necessário transformar as duas em inimigas por causa de um homem.

Já Cat, aos poucos, vai conseguindo cada vez mais novas nuances de humanização. Sim, este episódio era para ter surgido antes de Livewire, onde o relacionamento entre chefe e funcionária muda bastante, mas mesmo assim, o que foi apresentado compensa os diálogos “na cara” da Cat. O mais interessante é ver como a série decidiu abordar o “Como ela consegue?”. É sempre comum nos depararmos, nas redes sociais principalmente, com fotos ou vídeos de homens sendo elogiados e endeusados por aparecerem cuidando da casa, ou arrumando o cabelo da filha. Exatamente por isso eu compreendo a fala da Cat, todo mundo age com espanto quando uma mulher consegue, além de ser mãe, ser bem sucedida, pois a sociedade ainda coloca a mulher como a representante do lar, estar fora dele cria um choque. Não é algo digno de espanto, ao contrário, é bem fácil de compreender. E a missão de Supergirl é exatamente essa, a de pontuar que não deveria existir surpresa na tentativa de balancear vida profissional, com pessoal e heroica. Ao contrário, a capacidade vem da tentativa de atingir o objetivo, mesmo que lentamente.

A trama do episódio mostrou também que a série pode sim seguir um rumo mais sombrio, quando quer, ou quando precisar. Ter os atentados terroristas dentro de National City é um plot bem comum, mas ver o “vilão” optando por suicidar-se, não. Existe um lado dócil e amistoso para Supergirl, mas How does she do it conseguiu provar que a série está disposta a cruzar certas linhas. Neste episódio especialmente, eu consegui visualizar como Maxwell Lord se aproxima de Lex Luthor, manipulativo e capaz de qualquer coisa para testar as habilidades da nova heroína da cidade. É um caminho telegrafado, desde sua primeira aparição e seu sequestro, em que ele cooperou de bom grado com a loucura do Reactron, mas enriquece a trama e o paralelo que ela faz com um homem rico, inteligente e bem sucedido, que não aparece para provar sua superioridade através de atos de bondade. O mais importante aqui é a diferença entre Astra, finalmente mencionada e o ritmo ágil que não optou por esconder seus antagonistas nas sombras. Contudo, me preocupa o fato do aparente esquecimento, já que em Livewire não existiu menção a nenhum dos dois.

Supergirl ainda tem muitos pontos para amarrar, mas não consigo deixar de lado os elogios. A preocupação com os efeitos especiais é muito grande, transformando cenas aparentemente simples em algo bem trabalhado, como a cena do prédio, que nada mais foi do que a atriz com os braços erguidos e franzindo o rosto. Melissa Benoist continua me impressionando, exatamente por passar toda a leveza e seriedade necessárias para uma personagem tão poderosa. Assim como o clássico Superman, Kara é extremamente correta, suas falas podem parecer fracas e bobas, mas não se engane, não é um erro da série, ou um roteiro ruim, é a essência da escoteira da américa. A cada fala de esperança, fé e inteligência, a personalidade de Kara está sendo aprofundada. Por mais diferente que Supergirl seja de Agent Carter, ou Jessica Jones, não as coloque uma contra a outra, nem as compare, a luta é a mesma e cada uma está representando um passo importante a ser dado na cultura pop.

Easter eggs e outras informações

– Prêmio Siegel é uma menção ao criador do Superman, Jerry Siegel.

– No tablet do Carter, filho da Cat, é possível ver o logo clássico da Supergirl.

– Seriam os brinquedos na mesa do Winn uma menção a seu possível futuro como Toyman Jr? O pai do Winn, Winslow Schott, é o Toyman nos quadrinhos. Vilão que usa brinquedos como arma. O ator Henry Czerny irá interpretar o patriarca da família Schott em um episódio da série.

– O restaurante Noonan’s, que já apareceu na série algumas vezes, é uma menção ao bar gerenciado pelo ex-mercenário Sean Noonan. Nos quadrinhos esse é o lugar predileto de algumas figuras questionáveis e fica no Caldeirão, bairro violento de Gotham.

– Lucy Lane é uma JAG (Judge Advocate General’s Corps), divisão legal da força aérea norte americana, exército, guarda costeira e marinha. Loud Kiddington, escritor, percebeu e falou a respeito da semelhança com o arco de sua autoria, no Twitter.

– Em determinado momento a Lucy diz que não poderia competir com a Supergirl, porque a heroína voa. Bom, nos quadrinhos a Lucy se transforma na vilã Superwoman, depois de participar de um projeto científico criado para tentar controlar a existência de alienígenas no planeta, tudo com auxílio de seu pai, Sam Lane. Através de um traje, durante o arco World of New Krypton, Lucy conseguiu poderes especiais e chegou a se esconder em meio aos kryptonianos. Porém, após uma explosão, os poderes que eram do traje passaram para a irmã da Lois Lane. Existe a forte possibilidade deste arco ser reproduzido na série, futuramente, já que a presença de Sam Lane já foi confirmada em Supergirl, assim como o já existente ódio do DEO quanto a aliens.

– Na parede do escritório da Cat é possível ver alguns recortes de jornais. Um deles mostra histórias antigas do Superman. “É um pássaro, é um avião? Quem é esse misterioso e heroico homem?”.

– Nos quadrinhos o filho da Cat se chama Carter. Na série ele atende pelo nome de Adam.

– O comportamento do Maxwell Lord na série não é muito diferente dos quadrinhos. Lá na nona arte o empresário já criou situações perigosas para atingir seus objetivos. Foi ele o responsável por contratar a gangue Royal Flush para atacar a Liga da Justiça, só para que o Gladiador Dourado pudesse aparecer e salvar o dia, ganhando assim um convite para entrar na equipe de heróis. Também foi nos quadrinhos que Maxwell usou um terrorista para criar um ataque, outra armação para que a Liga pudesse salvar o dia. O “terrorista” acreditou que existia uma bomba conectada a seu coração, mas era uma armação do Maxwell, o que não o impediu de ser morto no processo. Bem parecido com o que aconteceu na série, certo?

– Em Lois & Clark existe uma cena praticamente idêntica a da Supergirl confrontando o Maxwell, só que com o Superman encarando o Lex Luthor. Para quem quiser conferir, foi no episódio piloto.

Créditos: Série Maníacos

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