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Review de Diego Antunes

Para esquecer o Superman, é preciso vê-lo por uma última vez.

Ninguém disse que o caminho de Kara Zor-El na televisão seria fácil. A própria reação do público para com o material de divulgação, o tão criticado trailer, mostrou que o mundo ainda não estava preparado para ter uma personagem tão forte e ao mesmo tempo tão humana ditando as regras. Comentários que diminuíam a produção e a comparavam com o Diabo Veste Prada foram inúmeros. Porém, Supergirl chegou e mostrou que pode mostrar lutas melhores que The Flash, que pode apostar em uma dinâmica entre homem e mulher bem menos cheia de clichês do que Arrow, e que sabe muito bem para onde está indo, diferente de Agents of S.H.I.E.L.D. em sua primeira temporada. Só que no fim, o que todo mundo fala, até mesmo os roteiristas, é o bendito nome do Superman. E foi por isso que Fight or Flight precisou existir.

Quando você se propõe a fazer uma série da Supergirl, a primeira coisa que a grande maioria irá pensar é no Superman. Tendo em vista este comportamento, a série precisou dedicar várias frases e menções para o personagem. A sombra que Clark Kent projeta é muito grande, da mesma maneira que a do Batman permanece assombrando Arrow. Só que existe uma grande diferença, a série aqui é da prima, existe uma conexão familiar, existe um lado nunca antes explorado por uma produção do gênero. Algo que a Cat Grant prontamente percebeu e aproveitou em sua tão sonhada exclusiva com a heroína de National City. Logo, apesar de um pouco movimentado demais, este terceiro episódio de Supergirl foi extremamente necessário para o futuro da série.

Foi muito legal ver a Kara lutando de uma forma mais organizada, assim como a ameaça de um humano prejudicado por um super-herói e transformado em vilão. Imagino que o ódio que Maxwell Lord nutre por alienígenas também possa ser explicado por algum problema no passado, mas isso apenas o futuro dirá – Espero que sem cenas cafona de dança, por favor. Só que (por sorte) o destaque durante estes quarenta minutos ficou para o drama interno da Supergirl e sua necessidade de provar a si mesma a todo momento. É uma maneira de levantar a representatividade e os desafios que mulheres enfrentam diariamente. Não é desprezar a ajuda, mas entender que existem algumas batalhas que precisam ser travadas sem a interferência de outros.

Também gostei bastante da maneira com que finalmente quebraram o ar engessado do relacionamento entre Alex e Kara. Cenas que mostram a vida privada de personagens com profissões fantasiosas são responsáveis por humanizar e dar mais profundidade ao texto. As duas irmãs precisavam daquele momento, precisavam quebrar um pouco a receita de frases de efeito que vinha sendo utilizada incessantemente durante os dois episódios anteriores. É legal ver como um jantar, ou uma conversa trivial e uma maratona de série consegue elevar o relacionamento, até então plastificado, em algo mais crível. Preciso de mais cenas assim, que ajudam e muito a simpatizar com as duas personagens centrais da série.

O fato é que Supergirl precisava de alguma forma riscar o Superman de sua equação, mas isso não é desculpa para o excesso de Superman existente no episódio, ou na série até agora. Os roteiristas precisavam de alguma maneira excluir a possibilidade de que Clark aparecesse sempre que a luta ficasse grandiosa demais, ou muito difícil para a Kara. Só que, ao abarrotar o episódio com menções, tudo ficou um pouco excessivo. Além disso, também invalidaram um pouco do discurso de unidade, a importância de se receber ajuda, e a cooperação que Kara havia pontuado com tanta força para James no momento que ambos dividiram em Stronger Together. Porém, entendo que existem males que vem para o bem. Lotar o terceiro episódio de referências ao Superman foi um deles, algo que eu espero ter sido retirado do sistema da série para os próximos capítulos. E como eu disse lá em cima, mesmo que você precise de ajuda, em determinados momentos você precisará optar por trabalhar sozinho, não por orgulho, ou ego, mas por realmente ser a única pessoa capaz, ou por ser a responsável.

Outro ponto que também não desceu bem foi terem utilizado um vilão icônico da Supergirl e terem dado de bandeja sua história para o Superman. Nos quadrinhos o Reactron surgiu pela primeira vez em Supergirl e a acompanhou por muitos e muitos números, em mais de uma “realidade”. É aquele problema, para retirarem o foco do primo mais velho, atrapalharam o material de origem da Kara e colocaram quase todo o foco nele. Não chega a ser gritante, mas demonstra que existe um pouco de falta de domínio do material de origem. E se você olhar para o que já foi criado para Supergirl nos quadrinhos, vai ver que existem poucas coisas exclusivas, o que é uma pena.

Lembro que em Superman: Retorno, a Lois Lane ganhou um Pulitzer pelo texto que escreveu, com o seguinte título: Por que o mundo não precisa do Superman? Lá no final do filme ela fecha com um Por que o mundo precisa… E de fato, o mundo precisa de um Super, mas no mundo real eu estou me referindo mesmo a Supergirl. Quando escrevi as minhas primeiras impressões do piloto “vazado” da série, eu dediquei alguns parágrafos para explicar a importância de uma heroína feminina com o peso da família Super sendo adaptada para a televisão. Mais do que nunca, a própria imagem que utilizei acima demonstra a beleza de uma produção em que uma mulher é colocada em destaque e situação de empoderamento. Meninas do mundo todo precisam disso, precisam de alguém dizendo que elas podem fazer a diferença, precisam crescer sabendo que elas podem ser heroínas, que elas podem fazer aquilo que os meninos vem fazendo desde muito pequenos e há muito tempo. Nem sempre é o que elas escutam, ou assistem. Uma pose e uma capa fazem sim toda a diferença para quem cresce ouvindo que, isso é de menino, menina assiste filme de princesa e não pode brincar de “lutinha”. Mulheres podem fazer aquilo que elas bem entenderem.

Infelizmente a própria DC Comics não foi capaz de ter a fé necessária no material a ser apresentado. Supergirl estreou, mesmo com episódio vazado, com o maior número de audiência para os pilotos de 2015. Só que nenhuma revista da personagem foi lançada, nenhum encadernado com as melhores histórias da Supergirl foi entregue para as comic shops dos Estados Unidos. Por uma falta de fé e crédito em Kara, a DC não deixou que nenhuma daquelas meninas e tantas outras comprassem uma revistinha da Supergirl para levar para casa. Arrow, com um número menor de audiência, ganhou uma revista própria, adaptando personagens que nem mesmo existiam na nona arte. Você então consegue ver a necessidade de tantos discursos de fé dentro de cada episódio?

Supergirl está apresentando episódios mais consistentes que The Flash em sua primeira temporada, com tudo aquilo que tantos fãs cobraram e elogiaram. Só que ela continua sendo desprezada pela maioria. Para mim, a importância de Supergirl é gigantesca, e apenas por isso, ela já merece um espaço especial dentro da minha grade de seriados. Precisamos de mais mulheres fortes, capazes, que entendem sobre a necessidade de se trabalhar em equipe, mas que também sabem que ter um homem para resgatá-las quando as coisas se tornam difíceis é optativo, não mandatório. E no final, quem decide é Ela, não o James Olsen.

Gosto de ver este terceiro episódio de Supergirl como uma necessidade para a liberdade da Kara. A própria forma com que ela colocou James na parede, revelando mais um aspecto de sua vulnerabilidade, foi um tapa na cara de quem acha que pode decidir por uma pessoa quando ela precisa ou não de ajuda. Kara precisa sim de ajuda, precisa de alguém como Alex para auxiliá-la na desconstrução do mito de que toda mulher necessita de um homem forte do seu lado para ajudá-la. Precisa de um texto que deixe bem claro que o inseguro, despreparado e sem confiança é James. E mesmo que tenham pesado a mão na quantidade de referências ao Clark, tudo deverá ficar bem melhor resolvido daqui para frente. Quero a independência prometida pela série e quero mais, quero que Kara levante a cada soco, cada tombo e mostre que ali, ela é SUPER.

Easter Eggs e outras informações

– Melissa Benoist já participou de Homeland, como a personagem Stacy, que apareceu nua na série. Imagina a confusão na cabeça da pobre Alex.

– A primeira aparição do Reactron ocorreu em Supergirl Vol 2 #8, de 1983. Sua última aparição na Terra 1 foi dois números depois. Sua participação de maior expressão foi na Nova Terra, também como inimigo direto da Supergirl.

– “Superman luta pela verdade, justiça e o estilo de vida americano”, a frase dita no episódio por Henshaw faz conexão direta com a série de TV “As aventuras do Superman”, com George Reeves.

– Maxwell Lord já foi comentado na zona de easter eggs da review passada, que você pode acessar clicando aqui.

– Millennial Falcon foi uma forma de fazer uma homenagem a Star Wars. A frase foi escrita pela personagem de Calista Flockhart, que é casada com o Harrison Ford na vida real.

– Também já falei sobre o relógio do James na review passada. Neste episódio foi confirmado que o dispositivo realmente permite uma linha de comunicação com o Superman.

– Nos quadrinhos a Cat não tem um dedo bom para escolher seus parceiros. Ela já foi casada com um homem que após o divorcio tentou proibi-la de ver o filho, e também namorou um chefão do crime, Morgan Edge, mas este último era parte de um plano para conseguir uma boa história.

– Supergirl usou chumbo para conseguir extrair o núcleo radioativo do Reactron, mas o elemento também marca presença na mitologia da família Super. Chumbo é o elemento que bloqueia a visão de raio-x do Superman e da Supergirl.

– Lucy Lane, a irmã da Lois Lane, já teve um envolvimento amoroso com o Jimmy Olsen, como a série deixou bem claro pela interação entre os dois. Durante o arco Superman: Nova Krypton, Lucy passou por experiências cientificas com o objetivo de duplicar os poderes kryptonianos, o que a transformou na vilã Superwoman. Em Smallville ela foi interpretada por Peyton List, que hoje é a Patinadora Dourada de The Flash.

Créditos: Série Maníacos

 

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