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Review de Diego Antunes

Um segundo episódio extremamente divertido e importante para Supergirl.

Supergirl começou com muita força, mesmo com seu primeiro episódio vazado, a série marcou ótimos pontos na audiência e até conseguiu manter bons números para seu segundo episódio. Além dos números, a série da prima do Clark Kent também estreou com uma missão bem clara, desvincular de Kara Zor-El a alcunha de versão feminina do Superman. Não foi nenhuma surpresa ver que todos os pontos mais fortes do piloto foram desenvolvidos novamente em Stronger Together, indo mais fundo, ela imprimiu ótima velocidade e mostrou que a equipe criativa da série, a mesma de Flash e Arrow, aprendeu bem com os erros cometidos nas outras produções derivadas da DC Comics para a televisão.

Como reviewer de The Flash, um dos aspectos mais criticados por mim durante a primeira temporada do Corredor Escarlate, foi a forma com que o roteiro tratou os embates entre mocinho e vilões. Supergirl fez muito bem ao impor o mesmo ritmo acelerado de Flash, contornou o problema com o vilão que todo mundo sabe que existe, exceto o time de heróis, e de quebra ainda explorou a vulnerabilidade de seus personagens, com cenas bem estruturadas e diálogos fortes, sem cair no clichê já batido por todas as outras produções do gênero. E por fim, nos deu de presente ótimas cenas de luta, momentos em que a antecipação é construída e entregada de maneira satisfatória. Existe início, meio e fim em todos os embates, mesmo os que não acontecem através do ponto de vista da protagonista.

Existe em Supergirl uma força muito grande e um entendimento gigantesco sobre o material da família Super. Mas, tudo é feito de uma maneira bem sutil e nada exagerada, ou extremamente dependente do outro cara que usa o S no peito. Em todas as séries, filmes, animações e histórias em quadrinhos do Superman, nunca tivemos uma dimensão de como foi Krypton pré-desastre. Supergirl tem a oportunidade de mostrar como foi a infância de Kara e como funcionava a política e convenções sociais dos kryptonianos, como nenhuma outra série, ou filme, teve. Kal-El era apenas um bebê quando foi enviado de seu planeta natal para a Terra, Kara já era uma criança crescida e pode nos oferecer um panorama bem informativo e interessante a respeito de seu passado, sem depender de artifícios como os utilizados em outras mídias, como hologramas, viagens no tempo, linhas alternativas e afins.

O que mais estou gostando de ver em Supergirl é quão similar ela é ao trabalho de Richard Donner, com Superman de 1978. A tecnologia de cristais criada por Donner foi tão importante para a mitologia do Super, que ela chegou a ser adotada pelos quadrinhos, Smallville, Lois & Clark e Homem de Aço, sendo o último de uma forma readaptada do conceito explorado no final da década de 70. A própria trilha sonora é um ode a produção clássica. Tudo isso dificulta muito o distanciamento do material de Superman, mas ao mesmo tempo demonstra que existe uma preocupação muito grande em honrar o legado que faz parte da infância de muitos. Supergirl é o que Superman: Retorno deveria ter sido. Sem adotar um tom sombrio e “realista”, mas mantendo-se fiel ao passado, sem esquecer que é o presente que dita o fracasso, ou sucesso de uma produção.

“Eu pediria um abraço”

“Eu não estou programada para fazer isso”

O trabalho de Melissa Benoist como Supergirl está simplesmente maravilhoso e estou simpatizando cada vez mais com a atriz, e personagem. A vulnerabilidade necessária para nos fazer gostar de uma heroína praticamente indestrutível é mandatória. Precisamos gostar de Kara, mas também precisamos nos preocupar com ela, com sua segurança física e emocional. Até o momento os vilões estão conseguindo impor tal risco físico, mas o emocional é o preponderante. A cena em que Kara se depara com a inteligência artificial de Krypton, que cruelmente usa a imagem de sua mãe, foi de partir o coração. Diferente de Clark, que nunca chegou a conhecer os pais e foi criado pelos Kent desde a infância, Kara teve por muitos e muitos anos os abraços da mãe, as refeições feitas pelo pai. O lado emocional de Kara está muito bem trabalhado, elevando o drama, sem o lado exagerado.

Da mesma maneira foi executado o diálogo e importância de James ‘Jimmy’ Olsen no episódio. Seu papel de amigo, confidente e mentor poderia com muita facilidade cair em um ponto já utilizado excessivamente. Quando a série coloca Kara para mostrar para um homem crescido, que seu conceito de valorização está errado, eu simpatizo com James. Tanto ele quanto Kara estão procurando seu lugar dentro do mundo. Por muitos e muitos anos Jimmy foi Jimmy, agora ele quer ser James. Ser ofuscado por seus dois amigos alienígenas não é fácil, mas reconhecer que ele também precisa de ajuda e que receber auxilio não diminuí sua importância, mostra que a série está preocupada em humanizar o cara gigante, musculoso e bem mais preparado para lidar com problemas fora do comum. E claro, a química entre os dois funciona muito bem.

Também me afeiçoei muito por Alex e a dinâmica entre irmãs que ela e Kara demonstraram. Porém, com um adendo, é preciso um pouco mais de cuidado para que os diálogos entre as duas não caia na repetição, afinal, terminamos ouvindo tudo o que já havia sido dito no episódio passado, só que com uma roupagem diferente e um pouco mais de conflito. Tudo bem, eu entendo que o segundo episódio precisa repetir alguns traços do piloto, mas não gostaria de ver o mesmo estilo sendo repetido nos episódios futuros. Alex é extremamente capaz, como ela já demonstrou, e eu estou simplesmente amando esse show de mulheres poderosas que resolvem seus problemas dependendo uma da outra.

Porém, quem mais expõe o discurso feminista da série não é Kara, ou Alex, mas sim Cat. O passado da personagem é bem próximo ao dos quadrinhos, em que ela foi criada para se tornar a terceira parte no triângulo entre Clark e Lois. Não deu certo, o público não gostou, e ela precisou trabalhar seu caminho até alcançar o que queria ter. Na série a voz que trabalha o empoderamento feminino é a de Cat, que traz a discussão para uma esfera mais próxima da realidade. Kara é super, Alex uma agente de uma organização secreta que lida com alienígenas, Cat é a mulher que precisou lutar contra todas as adversidades do mundo machista para chegar onde está. Por enquanto estou gostando da personagem, mas ainda preciso de um pouco mais de aprofundamento de sua personalidade para realmente a entender como pessoa, e não apenas como bandeira. Ainda é o segundo episódio e o espaço para trabalharem este lado está apenas começando.

Como segundo episódio Supergirl valeu cada minuto. Nem mesmo The Flash me manteve tão ansioso assim, mesmo com suas cenas misteriosas ao final de cada episódio. Supergirl tem todos os elementos que fazem dela uma série forte, que claramente aprendeu a lidar com as limitações de uma adaptação das histórias em quadrinhos. Precisamos de vilões, o procedural irá se desenrolar por alguns momentos, é inevitável, mas ao revelar a vilã, a série já apagou algumas sequências desnecessárias em que todo mundo conhece quem está por trás das ordens, menos quem realmente precisa saber. E que esta temporada seja Super!

Easter Eggs e outras informações

– Maxwell Lord, interpretado por Peter Facinelli (Saga Crepúsculo, Fastlane), é um empresário bem sucedido e responsável por criar, nos quadrinhos, a Liga da Justiça Internacional.

– Jay Jackson, o âncora que aparece em Supergirl, já interpretou o personagem Perd Hapley, outro âncora, em Parks and Recreation.  Ah, vale lembrar que o ator já foi repórter na vida real para o KCAL9 News.

– Planeta Diário – Essa é fácil para quem já é familiar com a mitologia do Superman, mas para quem está se aventurando por essas águas apenas agora, este é o nome do jornal mais famoso da DC Comics, lar de Lois Lane, Clark Kent, Cat Grant e Perry White.

– James Olsen já teve uma história com Cat Grant, nos quadrinhos. Ela já tentou seduzir o jovem fotógrafo no passado.

– Quem já conseguiu reparar no relógio do Jimmy Olsen? Na nona arte o aparato pode ser utilizado para se comunicar com o Superman, através da emissão de ondas sonoras em uma frequência ultrassônica. O ator Mehcad Brooks já deu dicas de que o relógio é especial.

– Plastino Chemicals é uma referência a Al Plastino, cocriador da Supergirl.

– A primeira aparição do Hellgrammite, vilão do episódio, foi em The Brave and the Bold vol. 1 #80 (1968). Na linha pré-crise ele foi um etimologista chamado Roderick Rose. Roderick passa (por vontade própria) por uma experiência de mutação genética, que o transforma em um gafanhoto gigante. Já no pós-crise, ele é contratado por um acionista da LexCorp para matar Lex Luthor, é impedido pelo Superman e termina derrotado pela Dona Troy/ Wonder Girl.

– Setor 52 mencionado na série também existe em The Flash, na série do Corredor Escarlate o lugar foi a prisão dos meta-humanos no laboratório S.T.A.R. Também é um leve aceno aos Novos 52, da DC Comics.

– Kriptonita, o material nativo de Krypton e capaz de enfraquecer kryptonianos tem uma versão bem parecida com a demonstrada na série. No evento pós-crise, quase ninguém sabia da existência e o material era bem raro.

– Uniformes militares kryptonianos demonstrados no episódio são bem parecidos com a série de quadrinhos World of new Krypton.

– A pizzaria na quinta com a Siegel – Jerry Siegel é o co-criador de Superman e Superboy.

– Ambulância na avenida Donner faz menção a Richard Donner, já comentado na review e diretor de Superman (1978) e de uma versão do filme Superman II (1980).

– Já existiu uma série de quadrinhos chamada Superman’s Pal Jimmy Olsen, algo como Jimmy Olsen, amigão do Superman.

– O S utilizado por Supergirl e Superman já teve outras explicações em diferentes filmes. Originalmente no filme de Richard Donner ele é o brasão da família El. Em Homem de Aço ele significa esperança. De cabeça para baixo o símbolo significa ressurreição. Em Supergirl ele também significa ‘mais fortes juntos’.

– A família de Henshaw (esposa e melhor amigo), nos quadrinhos, morreu depois da queda de uma nave espacial. Para ele a culpa é do Superman, que chegou atrasado para o resgate.

Créditos: Série Maníacos

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